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História - O melhor do bairro de Centro, Americana, SP

Os primeiros registros sobre a ocupação do território de Americana datam do final do século XVIII quando Domingos da Costa Machado I adquiriu uma sesmaria da coroa entre os municípios de Vila Nova da Constituição (atual Piracicaba), e Vila de São Carlos (atual Campinas). Nesta região foram criadas várias fazendas, e as que compreendiam o atual território de Americana foram a Salto Grande (a partir da região do bairro Antônio Zanaga), Machadinho (região central) e Palmeiras (Bairro da Lagoa).

Parte desta sesmaria, que incluía a Fazenda Machadinho, foi vendida por Domingos da Costa Machado II, para Antônio Bueno Rangel. Apos a morte deste, ela foi dividida entre seus filhos José e Basílio Bueno Rangel, tendo parte dela posteriormente sido vendida ao capitão da Guarda Nacional Ignácio Corrêa Pacheco, considerado o fundador de Americana.

Imigração norte-americana

Em 1866, as terras da região começaram a ser efetivamente povoadas por imigrantes norte-americanos sulistas, fugidos da Guerra da Secessão. O primeiro a chegar foi o advogado e ex-senador pelo estado do Alabama Cel. William Hutchinson Norris, que se instalou em terras próximo a casa sede da Fazenda Machadinho e do Ribeirão Quilombo. Em 1867 o resto de sua família chega ao Brasil acompanhado de dezenas de outras famílias de confederados. Estas famílias se instalaram em vários pontos da região, trazendo novas técnicas de cultivo, como o arado e a espécie de melancia conhecida como "cascavel da Geórgia".

Em 1875, quase uma década depois da chegada dos confederados na região, o prolongamento da linha-tronco da Cia. Paulista de Estradas de Ferro até a cidade de Rio Claro é finalmente inaugurado. Nas terras da Fazenda Machadinho, ao lado do Ribeirão Quilombo e defronte com a casa-sede da fazenda, foi feita uma estação, que embora estivesse em território campineiro foi feita para servir as fazendas do município de Santa Bárbara, cuja sede era bastante afastada, mas que não possuía uma estação. A inauguração feita no dia 27 de agosto contou com a presença do Imperador Dom Pedro II e do Conde d"Eu, marido da Princesa Isabel, batizando a estação como "Estação de Santa Bárbara" (imagem: antiga Estação Santa Bárbara). Não se sabe ao certo quando a pequena vila que deu origem a Americana surgiu. Sabe-se, porém, que a vila surgiu na época da inauguração da estação, e que foi o Capitão Inácio Correia Pacheco que loteou as terras, sendo considerado este o fundador da cidade, e seu aniversário o dia 27 de agosto, data da fundação da estação.

A pequena vila formada ao redor da estação tinha como nome oficial, somente "Vila da Estação de Santa Bárbara" e era formada principalmente por famílias de americanos, por isso era conhecida extra-oficialmente como "vila dos americanos". A semelhança entre o nome da vila da estação e o nome do município vizinho causou um serio problema de comunicação aos moradores da vila, que freqüentemente perdiam correspondências que ao invés de serem entregues na vila da estação de Santa Bárbara, eram entregues no município de Santa Bárbara, a 10 quilômetros de distância da estação. Este problema postal fez com que a Cia. Paulista mudasse o nome da estação no ano de 1900 para "Estação de Villa Americana". Com isso o nome da vila também foi oficializado como "Villa Americana".

Carioba
Na penúltima década do século XIX a Fazenda Salto Grande foi comprada pelo norte-americano Clement Willmot que em suas terras criou a primeira indústria de Villa Americana sob razão social de Clement H. Willmot & Cia. Em 1889 a fábrica ganha o nome de Fábrica de Tecidos Carioba que em tupi-guarani significa "pano branco". Em 1896, graças a dívidas acumuladas com a abolição da escravatura em 1888, a fazenda Salto Grande (imagem a direita) fale por dívidas e é vendida junto com a Fábrica de Tecidos Carioba.

Em 1902 a fazenda e a fábrica são compradas por imigrantes alemães, membros da família Müller. Foi daí que a fábrica cresceu e ganhou projeção nacional, se consolidando dentro de Villa Americana. Em torno da fábrica nasceu a vila operária de Carioba. Estes alemães trouxeram para a região toda a concepção de urbanização baseada no estilo europeu, que se materializou nas edificações das fábricas, residências patronais, hotel, escola, cooperativa e moradias dos operários. O primeiro asfalto de piche do Brasil foi implantado em Carioba, com piche importado da Europa. Essa fábrica foi à célula-mãe do Parque Industrial de Americana.

Imigração Italiana
Em 8 de outubro de 1887, chegou ao Brasil Joaquim Boer, chefiando uma grande comitiva de imigrantes italianos, que passou a residir na Fazenda Salto Grande, que na época era de propriedade de Francisco de Campos Andrade. Construíram a primeira Igreja de Americana em meados de 1896, quando foi rezado uma missa em homenagem a Santo Antônio, que se tornou padroeiro da cidade. Esses imigrantes contribuíram muito para o desenvolvimento da vila, pois eram agricultores excepcionais.

Todo ano no dia 13 de Junho era organizada uma grande festa em homenagem a Santo Antônio na vila, inclusive com grande queima de fogos organizada por Vicente Ardito. Era uma festa muito tradicional que atraia pessoas de toda região. Os primeiros tempos foram muito difíceis para os imigrantes, pois coabitavam nas senzalas com os escravos negros, sem a mínima condição de higiene e conforto. Chegaram já em débito com o fazendeiro, a quem tinham que pagar as despesas de viagem e também se submetendo ao sistema de parceria onde eram bastante explorados, ficando quase sempre devedores nos armazéns da fazenda, até que esse sistema foi mudado por um ordenado fixo e um determinado número de pés de café e mais uma comissão. Superaram tudo pela sua valentia, tornando-se posteriormente os industriais, comerciantes e, seus descendentes, profissionais liberais sobrepujando todas as barreira e restrições a eles impostas.

A disputa do território
Um acordo entre as câmaras municipais de Piracicaba e Campinas, firmado em 6 de fevereiro de 1833, estabelece que a divisa entre os municípios de Santa Bárbara d"Oeste e Campinas ficava um pouco aquém do Ribeirão Quilombo. Mesmo tendo o conhecimento da lei, Campinas autoriza a construção da "Estação de Santa Bárbara", em seu território. Santa Bárbara passa então a controlar a vila que surgiu ao seu redor, fazendo algumas melhorias e cobrando impostos, já que mesmo estando no território do município vizinho, a estação ferroviária lhe pertencia.

O crescimento do tráfego ferroviário, com trens diários para Campinas e para São Paulo, provocaram um contato maior com o município de Campinas devido a maior facilidade de transporte, uma vez que para Santa Bárbara, embora mais perto, o transporte era feito por tração animal. Então, aos poucos o pólo de interesses dos vilamericanenses foi mudando. Por volta do ano de 1896, a câmara municipal de Campinas, atendendo ao apelo dos moradores da vila, passa a proceder o lançamento e a cobrança de impostos dos seus habitantes, exercendo assim atos administrativos na vila. O município de Santa Bárbara, por se julgar ferido em seus direitos, continua a proceder com a cobrança destes mesmos impostos.

Então, Campinas entrou com um recurso no Conselho legislativo do estado, argumentando que os limites fixados na lei de 1833 incluíam a vila dentro do município de Campinas, e os barbarenses lutavam pela anulação desta lei, alegando que os limites não eram suficientemente claros em seus termos. Enquanto a questão permanecia sem solução, os moradores da vila estiveram em situação difícil com os dois executivos exercendo ações administrativas e cobrando os mesmos impostos. A questão pode ser melhor entendida pela transcrição do texto enviado por Basílio Bueno Rangel, em 1900, a seção livre do "Diário de Campinas":

"É Incrível! Fui vítima de um abuso inqualificável. O célebre juiz de paz de Santa Bárbara, Joaquim Veríssimo Oliveira, acompanhado de capangas e soldados com armas embaladas entraram em minha casa, levando toda mobília que guarnecia minha sala de visitas e mais alguns objetos, isto a título de eu não ter pago para a Câmara de Santa Bárbara um imposto inconstitucional, depois de eu ter depositado a importância da mesma nas mãos do Juiz de Paz de Santa Cruz, em Campinas. Villa Americana, campineira, está sendo explorada pela gananciosa câmara de Santa Bárbara, que não possuindo documentos comprobatórios sobre a questão de divisas, experimenta de todos os manejos políticos para ver se prejudica Campinas! Insensatos! Não vêem que é mais fácil um burro voar do que Campinas ceder-lhes um palmo de seu território? Seria uma calamidade se tal acontecesse! Protesto e protestarei contra a execução violenta de que fui vitima em território que não pertence à Santa Bárbara."

A solução foi dada em 30 de julho de 1904, quando o poder executivo estadual criou pela lei nº 916, o Distrito de Paz de Villa Americana, dentro do município de Campinas. [9] Mesmo tendo passado mais de um século que esta disputa foi resolvida, pode-se ver até hoje um resquício deste evento na população local, por meio de uma rivalidade entre os municípios que persiste até os dias de hoje.

A visita de Elihu Root
Em 1906, dois anos após a criação do Distrito de Paz de Villa Americana, aconteceu um dos mais marcantes fatos da história do município. Estava acontecendo no Rio de Janeiro a Conferência Panamericana, presidida pelo ilustre secretário de Governo americano Elihu Root. Depois de presidir a conferência, o secretário de governo foi convidado a visitar uma fazenda de café em Araras. Veio de navio para Santos e na estação dessa cidade, tomou um trem especial da Cia. Paulista, descendo na estação de Guabiroba (depois rebatizada como estação Elihu Root), um pouco além da estação principal de Araras, para visitar a Fazenda Santa Cruz.

Durante a viagem, Root foi informado da existência da Villa Americana, e mostrou interesse em conhecê-la. Depois de terminado todos os compromissos na volta de sua viagem, ele desembarcou na estação de Villa Americana e foi recebido com grande emoção por americanos e descendentes. Como a localidade ainda não tinha energia elétrica, as centenas de americanos que foram recebê-lo levavam tochas, que na noite escura, formavam uma visão impressionante. Root emocionou-se a ponto de chegar às lágrimas. Isto e a conversa que se seguiu geraram para ele uma lembrança da qual ele nunca se esqueceu, até sua morte, em 1937.

A emancipação

Após a elevação da vila à categoria de distrito, viu-se um rápido desenvolvimento. Criou-se o primeiro serviço policial, uma sub-prefeitura, a primeira iluminação pública feita com três lampiões de querosene trazidos da Alemanha e a criação da primeira escola oficial com o envio do Prof° Silvino José de Oliveira pelo estado. Todos estes feitos foram criando as condições necessárias para que seus moradores começassem a lutar pela sua emancipação. No ano de 1922, Villa Americana era um dos distritos de paz mais progressistas de Campinas, e tinha uma população de 4500 habitantes. Neste ano iniciou-se a luta política pela emancipação, encabeçada por Antonio Lobo e outros como o tenente Antas de Abreu, Cícero Jones e o próprio Hermann Müller. O trabalho destes e de tantos outros moradores da vila finalmente deu frutos. Em 12 de Novembro de 1924, foi criado o Município de Villa Americana, composto de dois distritos: o de Villa Americana e o de Nova Odessa que mais tarde dera origem ao município de Nova Odessa.

Revolução Constitucionalista
Na época do advento da ditadura varguista em 1930, Villa Americana vivia uma fase de profundo crescimento principalmente na indústria têxtil. Em 1932 durante a administração do prefeito Antonio Zanaga, eclode a Revolução Constitucionalista contra o regime vigente. Villa Americana não ficou surda diante dos apelos dos outros paulistas, e enviou vários jovens para lutar na Revolução. Três deles, Jorge Jones, Fernando de Camargo e Aristeu Valente (este último de Nova Odessa; então parte de Americana) não tiveram a sorte de voltar com vida para casa. Seus feitos heróicos são lembrados até hoje.

Em 1938, ainda na gestão do prefeito Antonio Zanaga, a cidade, devido ao grande crescimento, abandona o nome de Villa e passa a se chamar apenas Americana. A década de 30 foi o auge do desenvolvimento econômico de Americana, que passou a ser conhecida como a capital do Tecido Rayon. O progresso e o desenvolvimento acentuado na segunda metade do século XX provocou a criação da Comarca de Americana, durante a administração do prefeito Jorge Arbix em 31 de dezembro de 1953. Em 1959 na administração do prefeito Abrahim Abraham Nova Odessa é emancipada tornando-se um município autônomo de Americana.

Fundação: 27 de Agosto de 1875 (133 anos)

Conurbação com Santa Bárbara d"Oeste

Entre as décadas de 1960 e 1970, o rápido desenvolvimento da cidade, fez com que muitas pessoas viessem a procura de emprego e moradia. Como o território do município é pequeno ele não comportou esse crescimento, e essas pessoas só tiveram a opção de se estabelecer na divisa entre Santa Bárbara e Americana, gerando o fenômeno de conurbação no local e dando origem a região conhecida como Zona Leste de Santa Bárbara.

Esse fenômeno ocorreu também pelo fato de que a maioria da população desconhecia onde terminava um município e começava outro. Isso se dava porque o limite dos municípios ainda não estava totalmente fixado. O problema foi resolvido e a divisa das cidades foi fixada como a avenida que corta a região, que recebeu o nome de Avenida da Amizade.

A conurbação apesar de ter trazido desenvolvimento para Santa Bárbara, também trouxe problemas. O grande aumento demográfico ocasionou forte desequilíbrio nas contas públicas do município, que não estava preparado para receber um fluxo tão grande de pessoas e arcar com as despesas. Isso causou anos de estagnação econômica, que hoje estão sendo superados graças ao desenvolvimento da cidade e de toda a região.

(fonte: Wikipedia.org)