Categorias

História - O melhor do bairro de São Mateus, São Paulo, SP

 

 

 

  São Mateus - 62 anos de progresso

 

A bem da verdade, depois d e ler muitos históricos da Cidade São Matheus, passo a relatar aquilo que tenho registrado na memória de um garoto que aos 6 (seis) anos de idade no ano de 1949, em seus primeiros dias, passou a habitar uma casa na hoje chamada Rua Antonio Previato, precisamente em uma casa que ainda existe e que foi construída pelo Sr. Odom de Souza Lima, meu pai, em memória de quem transcrevo estas linhas. A referida casa não foi a primeira de alvenaria construída no bairro, porém, a primeira, é a casa onde hoje se encontra a empresa Tintas Kina, na Av. Mateo Bei, também edificada pelo mesmo construtor.
Para melhor elucidar os passos caminhados desde aquela época, e não desmerecendo outros que não envidaram esforços para trazer a público a história de nosso querido bairro, porém, talvez, por falta de informações concretas distorceram fatos e verdades que não podem ficar relegados ao esquecimento, admitindo-se como reais fatos ocorridos em tempos mais recentes, talvez de 1960 para cá, porém poucos são aqueles que como o signatário do presente estiveram no palco dos acontecimentos que por mercê de Deus deram origem a esse pujante bairro, hoje sem dúvida alguma, grande centro comercial e privilegiado berço residencial de nossa zona leste, procurarei apresentar os fatos iniciais por área de atividade, para que nossos leitores, conhecedores da realidade presente possam avaliar o progresso de Cidade São Matheus, que não obstante seus 44 anos de fundação tem sobrepujado a tantos outros até centenários, de nossa grande cidade.       
      


    


Originariamente, tratava-se de uma fazenda cortada nos vários sentidos por trilhas, onde circulavam carros de bois, transportando madeira para as olarias que se situavam na periferia, destacando-se nesse meio de transporte um morador de nome Antonio Meves, popularmente chamado de “TULICA“. Por volta de 1948, outro cidadão de nome José Antonio de Souza, começou, por ordem dos proprietários da terra, Bei Irmãos & Cia., com um trator de propriedade da empresa a abrir ruas, o referido morador, motorista do trator ainda vive em nosso meio e é conhecido pelos antigos habitantes pelo apelido de “TURUNA”.
Para transportar a terra que era tirada pelo máquina, veio também para o novo bairro um cidadão chamado Jorge que talvez pela sua origem, era conhecido pelo nome de Jorge Russo, cujos familiares ainda estão convivendo em nosso Bairro. Jorge Russo era proprietário de uma frota de caçambas puxada por burros. Foram abertas naquele tempo grande número de ruas, porém durante muitos anos permanecemos sem água, luz e esgoto.
DO TRANSPORTE COLETIVO
Todos os paulistanos sabem da precariedade do transporte coletivo em nossa capital, o que constituiu um grande desafio para os governantes municipais, com enormes filas nos terminais e ao longo do percurso, ônibus super lotados, pingentes candidatos à morte, motoristas mal preparados. Preço de passagens cada vez mais caro em proporção ao aviltadíssimo salário da grande maioria dos usuários. Promessas eleitorais não cumpridas, trânsito tumultuado e às vezes chega-se a dizer que o transporte coletivo em São Paulo é um caos, originando-se as reprováveis depredações e outros atos não justificáveis, que, porém, podem encontrar explicações num extravasamento de necessidades reprimidas e insatisfeitas, pois isso é sem dúvida alguma o “ diapasão “ que dá a nota para o vivenciar da grande maioria da população paulistana, mormente na periferia onde emerge em maior grau a necessidade do uso do transporte coletivo.
Após esse intróito sobre o sistema atual de nosso transporte coletivo, voltemos no tempo para localizarmos o final de 1948 e início de 1949, para informarmos que a princípio nossa locomoção era feita a pé, e portanto nosso raio de caminhada era limitado e somente para aquilo extremamente necessário, ou seja, ir à Escola Pública que se localizava no Bairro de Nova Iorque, na hoje Av. Rio das Pedras na altura da entrada para o Jardim Santa Terezinha, em propriedade de um japonês chamado Sr. Sakamoto, o qual também era dono de um armazém onde os pioneiros iam semanalmente fazer o suprimento. O primeiro transporte coletivo de Cidade São Matheus consistia em uma camioneta coberta de lona, com bancos de ferro, um em cada lateral de sua carroceria e quando o passageiro tinha que descer, acionava uma campainha que tocava na cabine do veículo, o motorista desse veículo era um jovem de nome Adeel Peo da Silva, conhecido pelo nome de Bidias. Esse sistema de transporte coletivo não demorou muito tempo, talvez alguns meses, vindo depois dois ônibus os quais foram os percursores do atual transporte coletivo de São Matheus. Dentre os motoristas, primeiros condutores destes ônibus temos registrado na memória um Sr. de origem portuguesa chamado Manuel e dentre os cobradores lembramos do Sr. Antonio Viotto. Para se Ter uma idéia da quantidade de usuários desse transporte, nas madrugadas por volta de 4 e 5 horas, o ônibus deixava sua via principal e ia à frente da casa do signatário onde buzinava e aguardava algumas passageiras que ali estavam esperando que as mesmas acordassem, tomassem café e se juntassem ao grupo que já estava no ônibus e não havia problemas, pois, todos iam para a mesma empresa ou seja TECELAGEM SANTA TEREZINHA, localizada onde hoje está o Carrefour da Rio das Pedras.
DA EDUCAÇÃO
Ao lado do transporte coletivo, da saúde, segurança pública e outros serviços, encontra-se a Educação que da mesma forma dos demais tem sido objeto de propaganda eleitoral e tem ajudado à Eleição de muitos que não pautam suas condutas estribadas na verdade, porém no engodo e na falsidade, sendo entre outros fatores que contribuem para a nossa Educação não somente na área municipal, estadual, porém até na Federal encontra-se no pé em que está, falta de salas de aula, consequentemente falta de vagas para os alunos; professores mal remunerados, baixo nível de ensino etc. A escola particular, por sua vez tenta suprir as deficiências, no entanto, a custos incompatíveis com os salários de grande maioria daqueles que pretendem nela estudar, ocorrendo uma grande evasão escolar principalmente a nível de 2º grau.
Deixando de lado a situação atual da Escola Pública, voltemos novamente para a Cidade de São Mateus para informarmos os primórdios educacionais de nosso bairro, hoje, embora, nas condições já referidas, possuem em seu território e nos bairros periféricos uma grande quantidade de Escolas Públicas e algumas particulares que apesar das condições já analisadas estão prestando à população um grande serviço nesse seguimento da atividade humana. Lembro-me da primeira Escola Pública de São Mateus, pois em seus bancos, ao lado de inúmeros companheiros, me assentei por volta de 1950. Escola de madeira constituída de 2 salas de aula e uma diretoria, localizada no mesmo terreno onde se encontra a Escola Prof. º Alfredo Machado Pedrosa. Lembro-me também dos primeiros professores, tais como Da. Edite, Da. Luzia, Prof. º Eli Albano de Almeida. Lembro-me ainda da primeira inspetora de alunos, Da. Sebastiana Gregório da Silva, conhecida por Da. Tatania, irmã do Sr. Nildo Gregório da Silva: Tratava-se de grandes educadores, pois, saídos de outros bairros, enfrentando as dificuldades peculiares da época, não se furtaram ao dever de bem informar seus alunos, de então cumprindo com amor e dedicação aquilo que posso afirmar tratar-se de um verdadeiro sacerdócio. Seguiram-se, após alguns anos, outros educadores, tanto na área Pública quanto na Particular, onde empresários investem na Educação no afã de, da melhor maneira possível, preparar a nossa infância e juventude para os embates da vida, dentre esses destacam-se Colégio São Matheus, Colégio Dom Pixote, Escola Santa Izildinha, Colégio São Vito, etc., os quais são administrados por pessoas dignas e honradas, sobretudo honestos e dedicados ao ensino e aos quais, nessa oportunidade, rendo meu preito de gratidão, em meu próprio nome, e em nome de uma pleiade de jovens e crianças, que através dos anos têm sido preparados por tão ilustres pessoas e pelos seus pares.